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Babau do Pandeiro - São João do Arraial

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  Com minhas publicações, tenho por objetivo realizar registros sobre a infinidade de coisas que eu ouço, algumas das quais infelizmente indisponíveis para escuta - seja oficial ou não-oficial. Pretendo iniciar, ainda esse ano, a disponibilização desses álbuns que cruzaram minha vida de forma tão especial. Já realizei postagens sobre Babau do Pandeiro, incluindo o seu álbum Meu primeiro compacto na minha breve lista dos 5 discosnacionais mais bizarros da década de 2000 , bem como refletindo sobre a morte do artista em 2024 . A discografia de Babau compreende uma diversidade de CDrs que eram distribuídos pelo próprio artista. Durante um tempo, tentei obter esses discos com um músico que o acompanhava, mas parece que o projeto de resgate dessas gravações acabou não indo adiante, e posteriormente perdi esse contato. Não há nenhum álbum do artista disponível online de forma oficial. Neste blog, disponibilizei o Meu primeiro compacto e agora disponibilizo São João do Arraial , um dos ...

Ainda é necessário falar algo sobre Angine de Poitrine?

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  Sempre suspeitei de tudo que viraliza. Fico com o pé atrás quando muitas pessoas enfatizam, apaixonadamente, que algo é muito bom - afinal, o mercado cultural sabe como criar a euforia coletiva, em todos os nichos. Com isso, eu tenho dificuldade de abrir o coração para essas produções, não pela soberba de querer ser um ouvinte de “coisas que quase ninguém conhece”, mas porque, na maioria das vezes, o que é cultuado não me toca a alma. Diversas pessoas me indicaram ouvir Angine de Poitrine. Achei muito suspeito. Do pouco que ouvi, achei algo legalzinho, divertido, mas nada muito consistente, muito menos revolucionário. Apenas dois mascarados tocando um rock instrumental bem popzinho e agradável. Ao longo de poucas semanas, a euforia em torno do grupo foi crescendo bastante, bem como o número de publicações sobre eles, o que me levou a querer conhecer um pouco mais. Como sou dos discos, fui conferir os dois álbuns do grupo - o segundo, recém-lançado. Coloquei o primeiro disco para ...

As 296 Melhores Músicas Brasileiras - #6 a #10

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    #10 Cartola - Preciso Me Encontrar (1976) [texto de Dulcinedes Maria] Preciso me encontrar foi composta por Candeia, e gravada e eternizada por Cartola em 1976. Candeia sofreu um acidente de trabalho, ficou paraplégico e foi aposentado por invalidez, dedicando-se então exclusivamente à música e às reflexões sobre a vida, o que notamos nessa letra, na qual ele busca um encontro consigo mesmo. Quando Cartola a gravou, também estava passando por uma fase muito difícil em sua vida; o artista se apropriou dela, devido ao momento que estava passando. O mesmo aconteceu comigo, desde quando tive um contato mais próximo com essa música. Preciso me encontrar  é um desabafo poético de quem teve sua vida virada pelo avesso. Eu também tive essa virada, e por isso essa música me toca profundamente, pois fala sobre a dor, e ao mesmo tempo do desejo de transformação e superação. E quem nunca teve ou terá seu momento de transformação e superação?   #9 João Gilberto - Chega de Sa...

Zé Ibarra na Estação das Artes de Fortaleza

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  [Myrna Barreto e Renan Simões realizaram uma cobertura do show de Zé Ibarra em Fortaleza para o site Bolsa de Discos]   No dia 27 de março de 2026, Zé Ibarra se apresentou de forma brilhante com sua banda na programação comemorativa de quatro anos da Estação de Artes de Fortaleza - em 2026, comemoram-se também 300 anos da cidade de Fortaleza e 60 anos da Secretaria da Cultura do Ceará. O artista integrou grupos muitos bem sucedidos nos últimos 10 anos - Dônica e Bala Desejo -, e inaugurou sua carreira solo em 2023, com o solitário Marquês, 256. , ao qual se seguiu o incrível Afim (2025), simplesmente o álbum brasileiro de canções que mais me chamou a atenção desde Vista pro mar (2013), de Silva. Como era de se esperar de um artista experiente, a carreira solo de Zé Ibarra vem sendo construída de forma bem consistente, por um músico com capacidades musicais bem acima da média de seus pares. Na escolha do repertório, na elaboração dos arranjos e na interpretação, seu álbum A...

As 296 Melhores Músicas Brasileiras - #11 a #15

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  #15 Milton Nascimento - Caçador de Mim (1981) Composta por Sérgio Magrão e Luiz Carlos Sá, Caçador de mim é um dos grandes destaques da produção de Milton Nascimento nos anos 80. Nessa década, Milton e praticamente todos os artistas de renome tiveram uma simplificação de suas sonoridades, que ficaram cada vez mais uniformizadas e menos vivas. Felizmente, isso não impediu a realização de obras-primas como essa.   #14 Tom Jobim - Chega de Saudade (1987) Essa versão de Chega de saudade , realizada por Tom Jobim quase 30 anos após suas gravações fundamentais - por Elizeth Cardoso e João Gilberto -, foi uma novidade para mim. Acredito que os avaliadores dessa lista se deixaram levar por sua sonoridade mais redonda e seu arranjo agradável, proporcionando essa ótima posição no ranking. De toda forma, é só mais uma versão genérica de uma das canções mais abordadas do repertório nacional.   #13 Nara Leão (ft. Chico Buarque e Sivuca) - João e Maria (1977) [texto de Dulcimar M...

As 296 Melhores Músicas Brasileiras - #16 a #20

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    #20 Rita Lee & Tutti Frutti - Ovelha Negra (1975) Rita Lee e sua banda foram grandes autoridades desse rock mais padrão, e lançaram um dos melhores álbuns do gênero a nível mundial. Ovelha negra é nossa balada rockeira mais atemporal e definitiva. Ainda atual e necessária, a faixa exibe perfeição em cada detalhe, da enfática interpretação de Rita ao delicioso solo de guitarra ao final.   #19 Luiz Gonzaga - Qui Nem Jiló (1950) Embora eternamente regravada e reinterpretada, a magia da versão original de Qui nem jiló nunca foi superada. Registrada em 1950, trata-se de um dos grandes destaques da obra inestimável de Luiz Gonzaga. Destaco o formato, hoje inusual, no qual a música é inicialmente apresentada sem voz, por completo.   #18 Milton Nascimento & Lô Borges - Cais (1972) Segunda faixa do portentoso Clube da esquina , Cais traz toda a dramaticidade epopeica de Milton junto a uma sonoridade misteriosa, etérea e agoniada. Poucas vezes uma música soou t...

Entrevista com Analu - 27º Festival Jazz & Blues de Guaramiranga/CE

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  [Myrna Barreto e Renan Simões realizaram uma cobertura do 27º Festival Jazz & Blues de Guaramiranga/CE para o site Bolsa de Discos]   Entrevistamos Analu no dia 14 de fevereiro, sábado de Carnaval, no 27º Festival Jazz & Blues de Guaramiranga/CE. É a primeira vez da artista na cidade, embora já tenha se apresentado em Fortaleza. A artista, natural de Vitória da Conquista/BA, citou a artista e amiga Bia Gurgel, de Mossoró/RN. Nossa entrevista enfocou a trajetória e produção de Analu, bem como reflexões sobre o feminino na Música.   Myrna Barreto (Bolsa de Discos) - Quais seriam as influências musicais para o seu trabalho, para se tornar a Analu cantora que você é hoje? Analu - Eu acho que as influências são coisas muito importantes para a vida de um artista, em qualquer sentido. Eu escuto muita música, e acho que muito do que eu sou é muito do que eu escuto. Eu escuto muito Djavan, eu escuto muito Gal, eu escuto muito Chico Buarque, muito Caetano, muito Rosa Pass...