Beto Guedes e Momi Maiga brilham em Guaramiranga
[Myrna Barreto e Renan Simões realizaram uma cobertura
do 27º Festival Jazz & Blues de Guaramiranga/CE para o site Bolsa de
Discos]
A edição de 2026 do Festival de
Jazz & Blues de Guaramiranga chega ao seu desfecho reafirmando o seu posto
de evento de sucesso e de encontros memoráveis entre tradição, formação,
experimentação e celebração da música. As últimas apresentações ocuparam a
Escadaria da Igreja Matriz, o Teatro Municipal e o circuito de concerto nas
igrejas, que são espaços simbólicos da cidade serrana.
A partir das 16h, a Escadaria da
Igreja Matriz de Guaramiranga recebeu o Mosaico Musical, reunindo a Jazzera e o
multi-instrumentista Moacir Bedê, que foi um dos homenageados desta edição. Em
clima de retrospectiva e afirmação artística, Bedê revisitou momentos marcantes
da carreira, costurando composições autorais e releituras com a maturidade de
quem ajudou a consolidar a cena instrumental cearense.
Na sequência, o palco ao ar livre
foi tomado pela presença do artista talvez mais aguardado desta edição: Beto
Guedes. Com um repertório que atravessa gerações, o artista mineiro entregou um
show marcado pela força de suas canções e pela participação do público, que
cantou junto praticamente todo o seu setlist, transformando a escadaria em um
grande coral que ecoou músicas memoráveis.
Beto Guedes também foi artista
homenageado, recebendo minutos antes do início de seu concerto uma comenda
comemorativa celebrando toda a contribuição artística e cultural à música
brasileira. Para saber mais sobre o show de Beto Guedes, acompanhe a publicação
do texto de Renan Simões.
Seguindo a programação do dia, teve
início às 21h, no Teatro Municipal de Guaramiranga o espetáculo Chão,
com Adriano Azevedo e Miquéias dos Santos. A apresentação explorou texturas,
silêncios e nuances da música instrumental nordestina contemporânea, criando
uma atmosfera intimista que contrastou com a grandiosidade do palco.
O encerramento da noite ficou por
conta do Momi Maiga Quartet, que levou o som da kora ao teatro, apresentando
uma performance marcada por virtuosidade e sensibilidade. Misturando tradições
africanas a elementos do jazz contemporâneo, o grupo construiu um espetáculo
vibrante, reafirmando o caráter internacional e plural do festival.
Na manhã seguinte, dia 17, chegou o
momento do homenageado Cleivan Paiva apresentar o seu concerto em clima de
reverência e reconhecimento. Em uma performance maturada artisticamente e com
forte conexão com o público, Cleivan conduziu a plateia através de um
repertório que evidenciou sua contribuição à música nordestina. O concerto
funcionou como síntese de trajetória: técnica refinada, identidade sonora bem
delineada e a emoção de quem ocupa o palco com a consciência de seu legado.
Entre celebrações históricas, encontros intergeracionais e experimentações sonoras, o último dia consolidou o Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga 2026 como um dos principais acontecimentos musicais do calendário cultural nordestino — e que certamente retornará em 2027 em sua 28ª edição. Até lá!
Texto revisado por Renan Simões
Crédito da Imagem: Foto de Momi Maiga por Eunilo Rocha
Publicado também no site Bolsa de Discos

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