As 296 Melhores Músicas Brasileiras - #21 a #30


 

 #30 Novos Baianos - Brasil Pandeiro (1972)

Uma das composições mais inspiradas de Assis Valente é o grande destaque de um dos álbuns mais valorizados da música brasileira. A versão dos Novos Baianos para Brasil pandeiro, abertura de Acabou chorare, é puro deleite e epifania do início ao fim.

 

#29 Fernando Mendes - Você Não Me Ensinou a Te Esquecer (1978)

[texto de Dulcinedes Maria]

Você não me ensinou a te esquecer, de Fernando Mendes, faz parte da trilha sonora do filme Lisbela e o prisioneiro, que eu assisti com Horácio, meu marido. Sempre me lembro dele quando ouço essa música, pois há partes que correspondem a meus sentimentos por ele, e acredito que os dele por mim também.

Quando eu ouvi essa música hoje, chorei muito. Ele, assim como o prisioneiro do filme, também ficou prisioneiro, mas de uma doença que foi limitando a sua independência, e faleceu devido a essa prisão. Isso me emociona muito, me faz lembrar de tudo o que nós vivemos; mas hoje, com muita gratidão, essa música faz parte da nossa vida, da nossa história.

 

#28 Marisa Monte - De Mais Ninguém (1994)

[texto de Dulcinedes Maria]

De mais ninguém, de Marisa Monte, me remete à minha grande história de amor com Horácio, meu marido, com quem namorei por dois anos e fui casada por 33 anos. A canção aborda sobre essa dor, que hoje se transformou em gratidão, em lembranças de tudo o que ele representou pra mim, de tudo o que eu recebi e conquistei com ele e através dele.

É uma música que me toca profundamente, uma afirmação que a dor é minha, não é de mais ninguém. É uma dor que dói muito, mas vem com toda essa alegria que eu recebi durante o tempo que estivemos juntos, e isso é algo que ninguém pode tirar de mim. Nem a minha dor.

Observação final: essa música me remete de maneira extremamente especial a uma apresentação que Igor Colombo, nosso filho, então aluno do Curso de Licenciatura em Música da Universidade Federal do Espírito Santo, participou, integrando o Choro na UFES no Jazz Festival 2019 - https://youtu.be/WWJyHvWyavc?si=mg_wTLQTnZSr68cA 

 

#27 Belchior - Como Nossos Pais (1976)

Como nossos pais exibe uma atemporalidade rara. Cada palavra corta como uma faca. Não há contra-argumentos. Belchior tinha razão e continua tendo.

 

#26 Francisco Alves - Aquarela do Brasil (1939)

Não tem jeito: todas nossas preferências musicais “modernas” são fundamentadas pelo que se produziu dos anos 60 em diante. O que veio antes disso - uma imensidão sem fim de grandes composições, interpretações e arranjos - parece peça de museu. Me alegra muito, então, quando vejo uma música como Aquarela do Brasil, gravada por Francisco Alves em 1939 (composição de Ary Barroso), em ótima colocação nessa lista. O ufanismo nacionalista exagerado pode incomodar a alguns, mas a sonoridade mítica dessas décadas anteriores à explosão da música jovem é contagiante, e nos instiga a ouvir mais e mais do que foi produzido nessa época.

 

#25 Elis Regina - O Bêbado e a Equilibrista (1979)

O bêbado e a equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc, é a eterna lembrança de que, ainda que seja difícil de administrar, a liberdade sempre será a melhor saída. Ditadura foi, é e sempre será prejudicial; serve apenas para uma minoria privilegiada realizar suas maracutais sem quaisquer limites. A gravação de Elis Regina, do álbum Elis, essa mulher, é uma das diversas provas do porquê ela ter sido um fenômeno da música.

 

#24 Chico Buarque - Geni e o Zepelim (1979)

Geni e o Zepelim, de Chico Buarque, é um retrato da nossa sociedade: preconceituosa e hipócrita. Louvamos ou amaldiçoamos de acordo com os interesses pessoais e por conveniência.

 

#23 Gonzaguinha - O Que É, O Que É? (1982)

[texto de Dulcinedes Maria]

Que inspiração Gonzaguinha recebeu ao compor O que é, o que é! Não por acaso, são as crianças que, com espontaneidade, alegria e autenticidade, nos dão a resposta de que a vida é bonita, é bonita e é bonita... Para mim, ouvi-la é uma oportunidade para muitas reflexões sobre minha postura diante da vida, meus valores, sentimentos e ações. Convido você para ouvi-la com uma escuta amorosa para com você mesmo, se ainda não o fez, e assim sentir a energia que emana dessa música.

Há alguns anos atrás, assisti a uma palestra espírita de Elizabeth Tolomelli, na qual ela interpretou a música usando o Livro dos Espíritos de Allan Kardec, a partir do capítulo Esperanças e consolações.

E a vida, e a vida, e a vida o que é, diga lá meu irmão...

 

#22 Marisa Monte - Carinhoso (2003)

Achei bem injusto a versão de Carinhoso por Marisa Monte estar melhor posicionada que a de Elizeth Cardoso e Pixinguinha. Volto à discussão de que nossas preferências são mais afeitas ao que foi gravado dos anos 60 pra frente. Embora gravada no final dos anos 60, a versão de Elizeth Cardoso e Pixinguinha remete à interpretação das décadas anteriores, por dois grandes gênios da música. A versão de Marisa Monte é tão bonita quanto genérica, tão bem acabada quanto dispensável.


#21 Luiz Gonzaga - Asa Branca (1947)

Em compensação, a melhor colocada dessa semana vem das antigas: a primeira gravação de Asa branca, realizada por Luiz Gonzaga em 1947, composição deste com Humberto Teixeira, uma das mais emblemáticas do nosso cancioneiro.


Crédito da Imagem: Texto em Canva

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