Hélio Mendes - Em Rítmo 2001 (1969)
Após lançar sete álbuns entre 1963 e 1967, Hélio Mendes e
seu conjunto não gravaram nada em 1968. No ano seguinte, produziriam seu canto
do cisne, o compacto duplo Em rítmo 2001, que flertou mais fortemente com
a música jovem - seguindo a linha de Sabor de juventude (1967). De acordo
com o texto da contracapa do compacto, Hélio Mendes se apresenta, nessa
gravação, “em rítmo 2.001, com um acompanhamento bem ‘pra frente’, ao gôsto de
qualquer apreciador do rítmo avançado”. Isto representa a mudança de foco do
mercado musical e da gravadora, muito mais afeitos a uma música mais “moderna”,
pela qual Hélio Mendes não nutria muito interesse. Ainda assim, ele realizou
esses últimos lançamentos com muita dignidade. O seu desinteresse pelo meio
musical fez com que encerrasse sua carreira musical no final de 1970, assumindo
então um cargo administrativo na
Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), do qual se aposentou em 1984.
Neste último registro, de apenas quatro faixas, o grupo foi
reduzido um pouco mais, não havendo mais sopros e nem percussão, e contou
novamente com o organista desconhecido do álbum anterior; além disso, no
acompanhamento, a guitarra foi substituída pelo violão. Outra peculiaridade
desse compacto é que as melodias são apresentadas apenas pelos instrumentos de
teclas - piano, órgão e celesta(!) -, havendo apenas um único e breve momento
de improviso. Este é o único trabalho do grupo que não conta com absolutamente
nenhum crédito aos músicos em suas duas versões - em compacto vinil de 7” e no relançamento
em CD, junto a Sabor de juventude. Com base nos lançamentos anteriores e
na escuta do compacto, supomos a seguinte ficha técnica: Hélio Mendes (piano e
arranjos, e provavelmente celesta), Maurício de Oliveira (violão e arranjos), Edílio
Santos (contrabaixo), Nilsio Gouvêia (bateria) e organista desconhecido.
O tema da inaugural Despedida de Mangueira (composição
de Benedito Lacerda e Aldo Cabral) é alternado entre piano e órgão, e conta com
a firmeza do acompanhamento de violão, contrabaixo e bateria. Como fã confesso
de algumas produções da Jovem Guarda, eu sempre admirarei boas versões como a
de Hélio Mendes e seu grupo para Se você pensa (Roberto Carlos e Erasmo
Carlos), suingada e leve. Deixe-me outro dia, menos hoje (outra composição
de Roberto e Erasmo, mas gravada por Agnaldo Timóteo) nos traz a sonoridade
esplendorosa da celesta, que dá à faixa um ar onírico de caixinha de música. A
celesta também se faz presente no único momento de improvisação do registro, em
Um bacio alla volta (de Nora Orlandi e Paula Orlandi; Um beijo ao
regressar na versão em português).
Finaliza-se, assim, a produção fonográfica de Hélio
Mendes, que retornaria à música em 1977, realizando apresentações musicais ao
piano e órgão, sozinho ou em parceria. Em 1991, o músico deu continuidade à sua
vida artística em outro plano.
Caso
queira adquirir uma cópia do livro O
piano e seu conjunto: vida e obra de Hélio Mendes, de Cínthia Ferreira, neta de Hélio Mendes,
entre em contato com a autora pelo Instagram: @cinthiaferreirasv
Clique aqui para ouvir o compacto completo no YouTube
Crédito da Imagem: Spotify

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