Luis Carlos Barbieri - Discografia
Nossa série Discografias segue com Luis Carlos Barbieri, violonista
e compositor do Rio de Janeiro, o qual conheço desde quando comecei a estudar
violão de concerto, e que me inspirou bastante em minha trajetória. Barbieri
nos concedeu uma entrevista por áudio sobre sua trajetória e produção
discográfica, que começo a publicar nessa semana.
Entrevista com Luis Carlos Barbieri
Meu primeiro trabalho fonográfico foi, na verdade, um resgate
de registros de quando eu tinha 21 anos; este foi lançado apenas em 2022, ano
no qual eu também gravava o meu último trabalho. Considero que minha carreira
começou em 1982, quando participei do III Concurso Nacional de Violão Villa-Lobos,
em Vitória, no Espírito Santo. Ali foi a primeira vez que eu pisei no palco,
tocando Frescobaldi, Turina e Villa-Lobos.
Dois anos depois, em 1984, na casa do meu primeiro
professor de violão, Ary Domingues, eu registrei, em um gravador de rolo, sem
nenhum tipo de emenda, um repertório enorme. Eu tinha acabado de entrar para a
faculdade na UFRJ, e o Sérgio Assad, que foi meu professor de 1980 até 1985 -
quando saiu definitivamente do país -, falou comigo: “Grava todo esse
repertório, você está com um repertório muito grande, vai entrar para a faculdade,
e provavelmente você vai mudar isso; grava para você ter um registro”. Gravei informalmente,
e não fiquei satisfeito, porque foram realizadas sem emenda nenhuma, com as
músicas tocadas do início ao fim.
Quinze anos depois, um ex-aluno meu, Rafael Carneiro,
descobriu que tinha uma fita cassete dessas gravações, único registro da fita
de rolo original; ele a digitalizou para CD, e depois de outros quinze anos,
resolvi apenas dividir as faixas e fazer com que isso virasse o meu primeiro
registro fonográfico.
É um trabalho que tem a Aria com variações La
Frescobalda, de Girolamo Frescobaldi, a Suíte de Buxtehude, En los
trigales de Rodrigo, Fandanguillo de Turina, Pavana para uma princesa
morta de Ravel, no arranjo de Bream, Schottish-Chôro, Estudo nº 8
e Prelúdio nº 2, de Villa-Lobos, Variações sobre o tema catalão,
de John Duarte, Madrigal-Gavota e Valsa Op. 8 nº 4, de Agustín
Barrios. Dei uma limpeza no som, o que não melhorou grandes coisas, por ser um
trabalho muito antigo, e aí eu considerei esse o meu primeiro trabalho
fonográfico.
O que eu fazia antes disso? Participei de dois concursos
competitivos, mas vi que isso não era muito a minha praia; então, tentei dar concertos
em tudo que era canto que eu podia tocar, até que em 1987 iniciei o Duo Barberi-Schneiter
com o Fred Schneiter, e ali aposentei minha carreira como solista, e fui
trabalhar o duo. Em 1995, nós gravamos o nosso primeiro trabalho, Duo Barberi-Schneiter
no Caraça, com arranjos nossos de João Pernambuco, Garoto e Dilermando
Reis, além de composições nossas. Então tem meu primeiro disco solo, de 1984, e
depois aquela que pode ser considerada a nossa primeira intenção fonográfica, com
o Duo Barberi-Schneiter.
Em resumo, a minha trajetória inicial consistiu em dar
aulas, e depois entrei para a faculdade em 1984; meu foco foi dar concertos
como solista até 1987, quando passei a me dedicar exclusivamente aos concertos no
Duo Barberi-Schneiter.
Para maiores informações, segue o release completo do
artista:
Luis Carlos Barbieri nasceu no Rio de Janeiro em 1963.
Estudou com Sérgio Assad de 1980 até 1985, em aulas particulares, e
posteriormente fez seu Bacharelado em Violão na Escola de Música da UFRJ, nas
classes de Turíbio Santos e Léo Soares. Nesta mesma instituição concluiu o
Mestrado em Musicologia, em 2012, defendendo a dissertação Catálogo geral e revisão
crítica da obra para violão solo de Fred Schneiter, sob a orientação da
professora Dra. Márcia Taborda.
Ficou conhecido pelo seu trabalho no Duo
Barbieri-Schneiter, com o qual realizou, por 14 anos, concertos nas principais salas
do Brasil, além de recitais na Argentina, México, Itália, Áustria, Suíça e
Portugal. Com o Duo, gravou três CDs no Santuário Ecológico do Caraça (Minas
Gerais), em 1995, 1996 e 1999. Em 2018, lançou o CD Memória: Bach e Mozart -
Arquivo ao vivo com gravações de concertos do Duo Barbieri-Schneiter (Sala
Cecília Meireles em 1988; Aliança Francesa da Tijuca em 1991; e Auditório
Guiomar Novaes em 1992). A carreira do Duo foi interrompida com a morte
prematura de Fred Schneiter, em 2001.
Como solista, gravou seis CDs: 1984 (1984), Barbieri
& Schneiter solo (2002), Sinal dos tempos (2005), Melodia sentimental
(2016), Tocata carioca (2019) e Die gitarre (2022). Em 2012,
lançou o CD OITIS, totalmente dedicado às composições de Sérgio Roberto
de Oliveira, ao lado da soprano Emilia Cassiano e da flautista Maria Carolina
Cavalcanti.
Em 1991, obteve o 2º lugar, entre candidatos de todo o
Brasil, no Concurso de Composição para Violão do I Ciclo de Violão da AABB, em
São Paulo, com a obra Dois momentos (para dois violões).
Desde 2001, integra a Diretoria da AV-Rio (Associação de
Violão do Rio) e coordena o projeto AV-Rio Social, que oferece o Curso de
Iniciação ao Violão Clássico (aulas gratuitas de violão). Em 2007, atuou como
Diretor-Presidente da Associação. É o Diretor Musical da Mostra do Concurso
Nacional de Violão Fred Schneiter, que acontece desde 2002.
Em 2003, sua música Prelúdio e dança nº 1 foi
editada pela Edizioni Carrara (Itália) e lançada na Europa. Neste mesmo ano,
participou como solista da trilha sonora do filme O outro lado da rua,
de Marcos Bernstein (2004).
Coordenou vários projetos musicais, tais como: Classique
91 (Aliança Francesa/RJ, em 1991, com concertos semanais); O Violão na Sala (Sala
Cecília Meireles/RJ, em 1992, 93 e 94, com série de quatro concertos no mês de
novembro); Violonistas Compositores (Espaço Cultural Sérgio Porto/RJ, em 1995, série
de quatro concertos no mês de agosto); Violões do Promúsica (Promúsica de Juiz
de Fora/MG, em 1993, série de cinco concertos no mês de agosto); e I Circuito
Violão Real (cidades históricas entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais, em 2004,
série de quinze concertos entre os meses de fevereiro e março); Musicamara (Teatro
Municipal Ziembinski/RJ, concerto mensal nas temporadas de 2016, 2017 e 2018) e
O Som da Bocaina (Solar Aguiar Valim/SP, concerto mensal nas temporadas de
2017, 2018, 2019, e até março de 2020).
Atualmente, coordena os seguintes eventos: Mostra e
Concurso Nacional de Violão Fred Schneiter (Espaço Guiomar Novaes/RJ, desde
2002, com 22 edições do evento, que acontece ao longo de cinco dias) e Café
Concerto (Centro Espírita Israel Barcelos/RJ, desde 2009, com concertos mensais).
Foi Professor Substituto do Curso de Graduação em Violão
da Escola de Música da UFRJ, nos anos de 2006 e 2007. De 2011 a 2013, foi
professor dos Cursos de Graduação em Violão no CBM – CEU RJ (Conservatório
Brasileiro de Música – Centro Universitário), lecionando as matérias Violão e
Seminários de Pesquisa de Repertório. Desde seu retorno às atividades como
solista, em 2001, Barbieri vem realizando concertos em Festivais e Seminários
de Violão no Brasil, na Europa e na América Latina.
De 2008 até 2016, produziu e apresentou o programa
semanal Violões em Foco, para Rádio MEC FM, que é destinado aos acontecimentos
do mundo violonístico. Foram gravados cerca de 400 programas, sendo uma parte
considerável com entrevistas exclusivas, e alguns programas com repertório
inédito. O programa continua a ser veiculado até os dias de hoje.
Em 2011, elaborou e implantou o Curso de Apreciação
Musical para os alunos da Educação Noturna (antigo EJA) no Colégio Cruzeiro. O
curso foi dividido em quatro Módulos (um por semestre): Módulo 1 – Períodos da
História da Música; Módulo 2 – Grandes Compositores; Módulo 3 – A Música Como
identidade Cultural de Uma Nação; Módulo 4 – O Ballet, a Ópera e os Grandes
Musicais.
Em 2014, gravou para o programa Partituras da TV Brasil,
inteiramente dedicado ao seu trabalho, com repertório de música brasileira
escrita para violão.
Em 2016, implantou o projeto AMOMÚSICA, desenvolvido pela
AMOVALE (Associação de Amigos e Moradores do Vale da Bocaina/SP) em parceria
com o Programa Escola da Família, do Governo do Estado de São Paulo, atuando
como coordenador e professor de violão. O projeto é destinado para alunos da
rede pública do Município de Bananal/SP.
Em 2018, realizou concerto na série Movimento Violão, que
foi gravado ao vivo para o SESC TV, no Teatro do SESC Consolação, e
transformado em programa televisivo desta série.
Em 2023, participou como solista da série Brasilianas,
da Academia Brasileira de Música, em concerto em homenagem aos 80 anos de
Turíbio Santos e 78 anos da ABM. Na ocasião apresentou o Concerto para 4
violões e orquestra de Ronaldo Miranda, ao lado dos violonistas Fábio
Adour, Marco Lima e Maria Haro, e com a OSUFRJ sob a regência do maestro Júlio
Medaglia.
Em 2024, coordenou, ao lado do clarinetista Cristiano Alves, o evento A Música de Sérgio Roberto de Oliveira, na Sala Cecília Meireles. A homenagem ao compositor carioca contou com 30 músicos envolvidos e com a estreia de três obras: 3 musicians, para violão, clarinete e violoncelo; Tasto, para violão (Luis Carlos Barbieri) e orquestra de cordas; e Tema para Laura, para clarineta e orquestra de cordas. A orquestra foi formada por músicos destacados e experientes, e regida por Sammy Fuks.
Crédito da Imagem: Fotos de Luis Carlos Barbieri por Luana Suares
Muito obrigado pela oportunidade e parabéns pelo trabalho e iniciativa!
ResponderExcluirQue trabalho maravilhoso! ✨ É lindo ver um registro tão completo e cuidadoso da trajetória de um violonista tão importante como Luis Carlos Barbieri. Que iniciativa incrível preservar essa memória, não só da sua discografia, mas de toda a sua história, dedicação e contribuição para a música brasileira. Parabéns pela matéria! É um verdadeiro presente para quem ama violão e música. 🎶👏
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