As 296 Melhores Músicas Brasileiras - #51 a #60
#60 Djavan - Linha do
Equador (1992)
Com uma carreira iniciada
nos anos 70, Djavan chegou aos anos 90 em incrível forma, e na crista da onda.
São dessa década muitos de seus sucessos, como Linha do Equador, do
ótimo álbum Coisa de acender.
#59 Tim Maia - Contacto
com o Mundo Racional (1975)
Contacto com o Mundo
Racional é um apelo soul de extrema profundidade,
direcionado à possibilidade de um último conta(c)to com o Mundo Racional, que
“irá fazer nossa união legal”; vamos ver “beleza sem igual”...
#58 Renato Teixeira - Romaria
(1978)
Renato Teixeira habita em
um universo muito particular da música brasileira. Seus diálogos entre a música
sertaneja e canções urbanas nos legou joias musicais inestimáveis, como Romaria.
#57 Beto Guedes - Sal da
Terra (1981)
Beto Guedes foi proficiente
na realização de composições estranhas, mas também de hinos entoáveis por
multidões. Desse segundo grupo, destacamos Sal da Terra, do seu quarto
álbum, Contos da Lua vaga.
#56 Djavan - Nem Um Dia
(1996)
Nem um dia talvez seja uma das canções pop mais
imponentes dos anos 90. A harmonia e letra são melancólicas, o que se adensa
ainda mais pelo andamento puxado-para-trás.
#55 Novos Baianos - Mistério
do Planeta (1972)
[texto abaixo por Letícia
Lemos]
Com uma das mais belas
introduções da música brasileira, Moraes Moreira nos transporta a um voo
cósmico, diretamente para um dos recônditos do nosso imenso Brasil. Mistério
do Planeta não é uma simples canção, mas um manifesto do que era viver como
um “novo baiano”: se mostrar de alma nua, buscando ser a melhor versão possível
de si enquanto se joga no mundo, entrando de cabeça no que é existir enquanto
genuinamente humano; é deixar-se reger pela “lei natural dos encontros”, e
entregar o que há de verdadeiro em si, e receber dos outros o que eles têm para
dar, seja como for, com “olhos nus / ou vestidos de lunetas”; é buscar o mais
alto estado de “simplesmente ser”, ao ponto de quebrar as barreiras do tempo e
finalmente se tornar o próprio mistério do planeta.
Apesar da profundidade da
tarefa de viver com desapego - material, de ideias preconcebidas e de dogmas -
o novo baiano nos lembra que, independentemente disso, ele não passa “de um
malandro / de um moleque do Brasil”, que pede e dá esmolas, mas que nunca está
sozinho, porque o sentido da existência humana está no encontro com o outro.
Outro este que não se pode apreender por completo e nem buscar dominar com
definições fragmentárias, como Emmanuel Levinas a vida toda defendeu.
E com um solo inebriante de
Pepeu Gomes, a convocação a esse estilo de vida é selada.
Essa música me encontrou no
auge dos meus 16 anos (já há uma década), e desde então a abracei como um hino
pessoal, já que após tantas andanças por esse Brasilzão de meu Deus, tive o
privilégio de contemplar como o existir pode se dar de múltiplas maneiras -
todas legítimas e com sua beleza própria.
[texto abaixo por Larissa
Fabriz]
O Mistério do planeta,
do grupo Novos Baianos, é um convite a atravessar a vida em movimento, e evoca
a autenticidade como objetivo de vida. Nesta canção, que se torna um manifesto
de um estilo de vida livre, o eu-lírico valoriza trocas e experiências em vez
de aquisições materiais, e transforma o mistério da vida em algo a ser
celebrado, e não decifrado.
#54 Roberto Ribeiro - Acreditar
(1976)
Melodia elegante, interpretação
aconchegante e assertiva, refrão super pegajoso, e uma mensagem firme no
propósito de seguir adiante. Acreditar, de Roberto Ribeiro, é
daquelas músicas que parecem sempre ter existido.
#53 Caetano Veloso - Você
É Linda (1983)
Você é linda é um dos grandes achados melódicos e poéticos
de Caetano Veloso, uma declaração tocante que consegue traduzir sentimentos
universais que temos em relação à pessoa amada.
#52 Secos & Molhados - Fala
(1973)
[texto de Myrna Barreto]
Adoro, desde muito pequena,
as músicas que são capazes de fazer mexer o meu corpo, embora também sempre
tenha amado aquelas que conseguiam mexer comigo para muito além dos quadris.
Tenho carinho e atenção especiais por aquelas músicas que me colocam numa
posição de aprendiz, num lugar novo, capaz de proporcionar mudança positiva,
evolução enquanto pessoa, enquanto ser humano.
Fala é desse tipo de música
que te convida a baixar o ritmo dos decibéis delirantes e azucrinadores, para
abrir campo para uma audição especial, um espaço talvez para o silêncio, para
aquilo que nos instiga a tentar ouvir mais do que falar. Nesta letra quem Fala
é o outro, e o nosso papel é parar, escutar, respeitar o espaço e o momento do
outro com atenção e, ainda por cima, buscar não emitir julgamentos apressados,
embalados pelos inúmeros não-entendimentos que temos.
Na verdade, eu gosto de
tudo em Fala: desde a música, a letra, a melodia e também da potência daquilo
que entrega ao ouvinte, apto a captar as suas generosas emissões de saberes
valorosos, capazes de fazer desabrochar um espaço para melhor diálogo e tentativa
de entendimento com o outro. Um popular ditado diz que Deus nos deu dois
ouvidos e uma boca por demonstração de como deveríamos usá-los. A música Fala
parece dizer algo próximo disso, só que utilizando uma deliciosa combinação
musical que talvez possa, em poesia, ser de fato ouvida.
#51 Milton Nascimento &
Lô Borges - Tudo o que Você Podia Ser (1972)
Tudo o que você podia ser é uma abertura de álbum
impressionante. A forma como cada novo som vai se integrando ao conjunto é de
tirar o fôlego. A composição é construída a partir de acordes suspensos
paralelos; o efeito resultante é uma das assinaturas musicais do Clube da
Esquina - movimento esse que soube se opor de forma elegante, discreta e muito
fundamentada contra a Ditadura Militar. A voz absurda de Milton Nascimento não
deixa dúvidas de que estamos diante de um dos grandes álbuns da história.
Texto revisado por Myrna Barreto e Renan Simões
Crédito da Imagem: Texto em Canva

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