Primeiro dia do Festival Jazz & Blues de Guaramiranga tem programação intensa, chuva e shows memoráveis

 


[Myrna Barreto e Renan Simões realizaram uma cobertura do 27º Festival Jazz & Blues de Guaramiranga/CE para o site Bolsa de Discos]


Texto de Myrna Barreto

 

A cidade de Guaramiranga voltou à tradicional atmosfera de música na noite de abertura, marcada pelo retorno da programação ao seu local de origem: o teatro Rachel de Queiroz. O Festival Jazz & Blues de Guaramiranga 2026, em seu primeiro dia, confirma a continuidade de sucesso. O público compareceu ocupando as ruas, praças, bares, restaurantes e teatro, acompanhando uma programação que transitou entre jazz e blues, dialogando com experimentações e muita música brasileira.

Às 11h, na praça do Teatro Municipal de Guaramiranga, aconteceu o Café no Tom, com Nicolas Krassik. Ele contou histórias de sua carreira artística, o que intercalava com a interpretação de algumas músicas. O público compareceu, acompanhou atentamente a apresentação do violinista, interagiu com perguntas e aplaudiu em diversos momentos.

No final da tarde, na escadaria da Igreja da Matriz, chegou a vez do grupo Murmurando e Adelson Viana, com o show De cá pra lá, e o espetáculo musical Em cenas, de Nicolas Krassik. A apresentação de Nicolas Krassik foi marcada por composições autorais e interpretações de sucessos envolventes de Gilberto Gil e Dominguinhos. O público, que é bem diverso em faixa etária, chegou com pontualidade e foi se esparramando confortavelmente pela escadaria, e demonstrou participação e entusiasmo com as apresentações desta tarde.

Já era noite quando os músicos recomeçaram as apresentações na Praça da Música. O primeiro a se apresentar foi Glauber Nocrato e Banda, seguido por Matheus Melo e Adauto Farias e Banda. Enquanto as apresentações aconteciam na Praça da Música, na frente do Teatro Municipal, a fila já se formava com o público das estrelas femininas da noite: Analu e Rosa Passos.

No relógio passava pouco mais de 21h, a chuva caía na cidade, quando a baiana Analu, natural de Vitória da Conquista, subiu ao palco do teatro trazendo um show íntimo e envolvente. Ela cantou sucessos e clássicos da música popular brasileira, da bossa nova e também canções autorais. O público fez coro em diversos momentos de sua apresentação, inclusive nas canções de Djavan. Analu demonstrou delicadeza e romantismo em canções como Se eu soubesse, composição de Chico Buarque e hipnotizou, já quase no encerramento de sua apresentação, ao tocar os assalatos (ou asalato/kashaka), que consiste em um instrumento de percussão africano composto por duas pequenas esferas preenchidas com sementes ou areia, unidas por um cordão, que criam ritmos através de batidas e cliques. Analu já se destaca em seu perfil nas redes sociais com vídeos utilizando esse instrumento. Durante a sua apresentação tocando os assalatos, ela demonstrou grande capacidade rítmica e desenvoltura ao cantar “verdadeiro” trava-língua. O show se encerrou com uma versão percussiva feita em seu peito cantando Bananeira e foi aplaudida de pé com energia e emoção.

A apresentação da renomada Rosa Passos começou cerca de meia hora após o show de Analu e parece ter pegado o público já cansado, após um dia de maratona cultural, proporcionada pela programação deste primeiro dia. A banda que acompanhou a Rosa Passos, neste show, tocou de maneira magistral e harmônica. No entanto, a voz de Rosa Passos, que já é marcada pela suavidade e delicadeza, não parece ter sido favorecida, uma vez que pareceu não ter a evidência merecida. É possível que esse detalhe tenha deixado o show com menor potência de impacto auditivo para o canto da artista. Para quem esperava nitidez e destaque na audição das notas musicais emitidas pelo canto de Rosa Passos, recebeu um show no qual a banda da cantora brilhou muito, principalmente em momentos de improvisação à moda jazzística. Rosa Passos, antes mesmo do início de seu show, recebeu homenagens da organização do festival e foi celebrada como uma grande estrela de nossa música.

Além dos shows da programação, o primeiro dia também contou com as famosas jam sessions que entraram pela madrugada ao som de muita música, troca artística e improvisação musical.

Em resumo:

O primeiro dia parece indicar o tom da edição 2026, programação intensa e reafirmação de seu lugar como um dos encontros mais relevantes do jazz e do blues no Brasil.

Continue acompanhando a nossa cobertura de tudo o que está acontecendo no Festival Jazz & Blues de Guaramiranga 2026.


Texto revisado por Renan Simões
Crédito da Imagem: Foto de Eunilo Rocha
Publicado também no site Bolsa de Discos

Comentários

  1. Cobertura incrível! Obrigada, pelo texto detalhado e cheio de sensibilidade!! Forte abraço!

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