O Melhor da Música Não Brasileira de 2025

 



Seguem os álbuns não brasileiros que mais me cativaram em 2025:

 

Los Thuthanaka - Los Thuthanaka

Los Thuthanaka foi o álbum de 2025 que eu mais ouvi. Esse disco me emociona muito, e acho que ainda não consigo expressá-lo em palavras - se é que um dia conseguirei de forma justa. Apenas ouçam. É bem fora do padrão, mas de uma riqueza inigualável. Pela primeira vez, coloco um texto excelente do ChatGPT sobre os artistas:

O duo Los Thuthanaka é um dos projetos mais comentados da música experimental recente. Formado pelos irmãos Chuquimamani-Condori (antes conhecida como Elysia Crampton) e Joshua Chuquimia Crampton, o duo trabalha uma fusão muito singular entre música eletrônica experimental, tradições andinas aimarás, noise, trance, drone, colagem sonora e ritmos populares bolivianos como huayño, caporal e kullawada.

Visualmente e conceitualmente, o projeto é profundamente ligado à cosmologia aimará e a ideias de temporalidade não linear, ancestralidade e reciprocidade (“ayni”). A música deles não trata o folclore andino como “material exótico”, mas como algo vivo, mutável e futurista. Há uma dimensão espiritual muito forte: o álbum de estreia é dedicado a Chuqi Chinchay, entidade associada, em tradições andinas, às identidades queer e dissidentes.

O som do duo é extremamente denso e físico. Em vez de uma produção “limpa”, eles usam clipping, distorção, saturação e áudio deliberadamente “mal masterizado” como estética. Isso aproxima o projeto tanto da música eletrônica de vanguarda quanto do noise rock e da cultura DIY. Em vários momentos, parece simultaneamente uma festa ritual andina, um set de música eletrônica desconstruída e uma parede de ruído psicodélico.

O álbum de estreia, autointitulado, foi lançado de surpresa no Bandcamp em março de 2025 e rapidamente virou objeto de culto na crítica musical. O disco recebeu aclamação enorme de veículos como Pitchfork, Resident Advisor e The Wire. A Pitchfork chegou a dar nota 9.3 e posteriormente o colocou como álbum do ano de 2025.

Uma característica interessante é que o álbum praticamente não circulou nas plataformas de streaming tradicionais, permanecendo essencialmente ligado ao Bandcamp e aos circuitos experimentais independentes. Isso reforçou a aura “underground” do projeto.

O mais interessante talvez seja justamente como eles evitam soar como mera “fusão”. Não parece “eletrônica + folclore”; parece um sistema musical próprio, onde tradição indígena, música de clube, ruído e espiritualidade coexistem sem hierarquia.

O duo também tem relação com discussões sobre decolonialidade na música experimental. Muitos críticos observaram que eles desafiam a ideia ocidental de “alta fidelidade” e de “progresso linear” na música, propondo outra escuta do tempo, da memória e da tecnologia.




Djrum - Under Tangled Silence

Djrum é um artista que pode agradar tanto os amantes do jazz contemplativo quanto os da música eletrônica. Com sonoridades e trajetórias muito belas, Under tangled silence, é uma viagem sonora muito prazerosa.

Clique aqui para ouvir o álbum completo no YouTube




Seguem músicas não brasileiras isoladas que mais me cativaram em 2025:

 

Lady Gaga - Perfect Celebrity

O maior problema da música pop é estar centrada, essencialmente, na figura pública do artista, e em uma infinidade de elementos para além da música. Quando se discorre sobre música pop, são valorizados, no geral, os conceitos e letras das músicas. Quanto à música em si, é muitas vezes sem graça, um pano de fundo genérico para todo o resto.

Lady Gaga é uma grande exceção no universo pop. Após quase duas décadas de uma carreira estelar, a artista ainda nos impressiona com músicas realmente interessantes e intensas, que tocam fundo em nossa alma. Ela tem um compromisso verdadeiro com a música, além de ser muito bem-sucedida e proficiente nas outras vertentes de sua figura pública.

Seu álbum de 2025, MAYHEM, apresenta três músicas de outro mundo: Perfect celebrity, Disease e Die with a smile (com participação de Bruno Mars). As duas últimas não estão nessa lista pelo simples fato de terem sido lançadas em 2024; Perfect celebrity é de 2025.



james K - Doom Bikini

Existem progressões harmônicas que amolecem meu coração. Quando estas são realizadas junto a vocais e timbres bonitos, me ganham de vez. E quando há também timbres sujos de trip hop, vai pra trilha sonora da minha vida. Doom bikini, de james K, tem isso tudo, uma música realmente bela, para nos acalmar desse mundo caótico.



Titanic - Gallina Degollada

Compassos alternados, microtonalismo e minimalismo de verdade (e não aquela coisa bem tosquinha do Angine de Poitrine), bateria ritualística, baixo estático e letra de terror cantada em espanhol. O duo Titanic, formado no México pela violoncelista e cantora guatemalteca Mabe Fratti e por Héctor Tosta, é um grito de resistência dos países colonizados no cenário alternativo do colonialismo cultural inglês.



Lavinia Blackwall - The Making

Por vezes, tudo o que precisamos é de um álbum agradável, redondo, e com melodias e sonoridades muito bem encaixadas. The making, da cantora e compositora escocesa Lavinia Blackwall, corresponde a isso com louvor. O grande destaque do disco é a delicada e imponente faixa-título, com suas alternâncias interessantes entre os modos maior e menor.



Sufjan Stevens - Wallowa Lake Monster

Em 2025, um dos discos mais profundos da história - Carrie & Lowell, de Sufjan Stevens - completou 10 anos, e ganhou uma edição especial com versões preliminares de várias de suas músicas. Foi muito revigorante revisitar esse clássico absoluto da música por perspectivas ainda mais intimistas, embora eu prefira a magia sonora do álbum oficial.

As duas grandes novidades desse registro, para mim, foram Mystery of love, trilha do filme Me chame pelo seu nome, e a deliciosa Wallowa Lake monster. Até o momento que parei para escrever essa resenha, acreditava que Wallowa só havia sido lançada em 2025, mas acabei de descobrir que foi lançada como sobra do álbum pouco tempo depois de seu lançamento. De toda forma, a descobri apenas em 2025, me admirei bastante, e essa “versão 2”, lançada ano passado e muito provavelmente uma versão preliminar, me ganhou.



Water From Your Eyes - Life Signs

Mais quebradeira rítmica, melodia monotônica e riffs malvados e esquisitos. Life signs pode não ser tão genial e interessante quanto Gallina degolada, mas também vale a escuta em meio a essa nova safra de canções esquisitas.



Crédito da Imagem: ChatGPT

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