Hélio Mendes - Na Bossa (1964) [ou Quarteto Arpoador - Bossa no Castelinho]


 

O terceiro álbum de Hélio Mendes, de 1964, contou com mudanças significativas. O grupo foi reduzido, não contando mais com sopros e acordeon; entretanto, manteve os mesmos músicos dos outros instrumentos: Hélio Mendes (piano), Maurício de Oliveira (violão e guitarra), Betinho (bateria) e Edílio (contrabaixo). Embora não seja creditado, há um percussionista ao longo de todo o registro, provavelmente Moacyr Lima, que esteve presente nos álbuns anteriores. Os arranjos são de Hélio Mendes e Maurício de Oliveira.

O nome do grupo foi alterado, de Hélio Mendes, seu Piano e seu Conjunto para Hélio Mendes e seu Trio Vagalume. O repertório também teve outra perspectiva: nada de boleros ou sucessos americanos e franceses; há apenas bossa nova e samba-jazz. Este foi o único registro de Hélio Mendes que abordou apenas músicas brasileiras.

Outra questão que alterou bastante a sonoridade do grupo foi a adoção do violão, ao invés da guitarra, em 10 das 12 faixas do registro, por Maurício de Oliveira. O músico havia lançado, no ano anterior, seu primeiro álbum como violonista solista - Um violão... e novas emoções - o que pode ter inspirado essa utilização do instrumento junto a Hélio Mendes. Essa decisão abrasileirou ainda mais a sonoridade do grupo.

Mas que nada (de Jorge Ben) era uma música ainda bastante fresca em 1964, e tem aqui um arranjo muito interessante, com solos eletrizantes de Hélio e Maurício, que também incendeiam Menina feia, de Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini. Vagamente (Roberto Menescal e Ronaldo Boscoli) e Vai de vez (Roberto Menescal e Luiz Freire) têm um clima tropical bastante relaxado, enquanto o arranjo comedido, porém dançante, de Influência do jazz (Carlos Lyra) funciona muito bem. Môça flor (Durval Ferreira e Luiz Freire) dá um toque sentimental ao registro.

As faixas seguintes não apresentam muita novidade e variedade em relação aos arranjos; entretanto, como todo o repertório do grupo, são tocadas com bastante elegância: O sapo (Jayme Silva e Neuza Teixeira), Bossa na praia (Geraldo Cunha e Pery Ribeiro), Baiãozinho (Eumir Deodato) e Amôr de nada (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle). Quando Maurício regressa ao violão, após essas duas últimas, o grupo nos proporciona um fechamento belíssimo para o álbum, com dois grandes clássicos da bossa nova: Ela é carioca (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e Rio (Roberto Menescal e Ronaldo Boscoli).

Curiosamente, este álbum foi relançado por duas gravadoras diferentes (Esquema e Egal), porém com o grupo recebendo o nome de Quarteto Arpoador - sem a identificação dos músicos. Além disso, o nome do registro foi alterado para Bossa no Castelinho.

Infelizmente, a gravadora Discobertas, que relançou o disco oficialmente em CD, o produziu a partir de uma cópia ruim do LP original. Como resultado, o som ficou horrível, beirando o inaudível; por isso, disponibilizo um link não oficial do álbum no YouTube, que soa muito superior ao digital oficial.

Caso queira adquirir uma cópia do livro O piano e seu conjunto: vida e obra de Hélio Mendes, de Cínthia Ferreira, neta de Hélio Mendes, entre em contato com a autora pelo Instagram: @cinthiaferreirasv




Crédito da Imagem: Foto por Renan Simões / Órfãos do Loronix / Discogs

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