Hélio Mendes - Hélio Mendes e Seu Conjunto (1965)

 



O quinto álbum de Hélio Mendes possui duas ordenações de faixas distintas. Nas versões em LP, o lado A inicia com Sentimental demais e finaliza com Manhã enublada, e o lado B inicia com Atire a primeira pedra e finaliza com Sabor a mi; esta é a mesma ordem da versão digital (disponível no YouTube e no Spotify). Entretanto, o que consta na capa do álbum inverte os dois lados, e é desta outra forma que as faixas se organizam no relançamento em CD, pelo selo Discobertas. Eu, particularmente, achei que a primeira opção funcionou bem melhor. Do repertório, 8 das 12 músicas são brasileiras.

Quanto ao grupo, os músicos são exatamente os mesmos do álbum anterior - Hélio Mendes (piano e arranjos), Maurício de Oliveira (guitarra e arranjos), Cícero Ferreira (piston e voz principal), Moacyr Barros (saxofone, grafado “Moacir Barros”), Edílio Santos (contrabaixo) e Moacyr Lima (ritmista, grafado “Moacir Lima”) -, exceto pelo baterista - Nilsio Gouvêia ao invés de Betinho.

O disco possui a abertura mais dramática dentre os registros do artista, com a tocante Sentimental demais, de Jair Amorim e Evaldo Gouveia; trata-se de uma das melhores gravações do grupo. Essa ambiência de bolero, uma marca importante do conjunto, se faz presente em boa parte do disco, como na mítica Preciso aprender a ser só (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle), na italiana Se piangi se ridi (Roberto Satti, Gianni Marchetti e Mogol) e em diversas outras - Manhã enublada (Átila Bezerra), From Russia with love (Lionel Bart), Amore scusami (Vito Pallavicini e Gino Mescoli) e Sabor a mi (Alvaro Carrillo).

Trem das onze (Adoniran Barbosa) e Atire a primeira pedra (Ataulfo Alves e Mário Lago) contam com os vocais do grupo, especialmente com a voz solista de Cícero Ferreira na segunda. Garota moderna apresenta uma faceta mais alegre da dupla Jair Amorim/Evaldo Gouvêia, aqui no terreno do samba jazz, enquanto Arrastão (Edu Lobo e Vinicius de Moraes), um dos grandes destaques do nosso cancioneiro, é apresentada pelo grupo em um arranjo comedido, porém muito agradável, e com viradas frenéticas de bateria. Nanã (Moacir Santos) também transborda alegria, dando mais leveza a este tema incrível.

Cabe ressaltar que este é o disco do grupo com melhor sonoridade até aqui, e a versão digital ficou excelente.

Caso queira adquirir uma cópia do livro O piano e seu conjunto: vida e obra de Hélio Mendes, de Cínthia Ferreira, neta de Hélio Mendes, entre em contato com a autora pelo Instagram: @cinthiaferreirasv


Clique aqui para ouvir o álbum completo no YouTube


Crédito da Imagem: Amazon

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