Hélio Mendes - Hélio Mendes e Seu Conjunto (1966)
O sexto trabalho de Hélio Mendes, de 1966, é o primeiro a
conter mais músicas internacionais do que brasileiras, o que se repetiu em Sabor
de juventude (1967), álbum derradeiro do artista. O grupo se manteve o
mesmo do registro anterior: Hélio Mendes (piano), Maurício de Oliveira
(guitarra), Cícero Ferreira (piston), Moacyr Barros (saxofone, grafado “Moacir
Barros”), Edílio Santos (contrabaixo), Nilsio Gouvêia (bateria) e Moacyr Lima (percussão,
grafado “Moacir Lima”). Embora não creditados, e tomando por base os álbuns
anteriores, supomos que os arranjos sejam de Hélio Mendes e Maurício de
Oliveira, e a voz principal seja de Cícero Ferreira. A sonoridade do álbum, em
LP e digital, é formidável.
A despeito do título e letra, Tristeza (composição
de Haroldo Lobo e Niltinho) abre os trabalhos com uma sonoridade ensolarada; a
música é muito bem cantada pelos integrantes do grupo e apresenta um solo inspirado
de saxofone por Moacyr Barros. Em Strangers in the night (de Bert Kaempfert
e Eddie Snyder), Cícero Ferreira entoa melodias derramadas em seu trompete,
trazendo uma faceta mais introspectiva do grupo. O arranjo de Canto de
Ossanha (Baden Powell e Vinicius de Moraes) pode até não ter alcançado o
nível de energia que a composição merece; entretanto, após esta, somos
surpreendidos com Yesterday (John Lennon e Paul McCartney), lançada
originalmente no ano anterior, com a melodia tocada de forma bastante
expressiva por Hélio Mendes ao piano. Embora seja um dos temas musicais mais
aristocráticos do Beatles - o que a aproxima de uma dimensão do repertório de
Hélio Mendes -, esta inclusão significa uma abertura a novas possibilidades, o
que foi explorado nos trabalhos finais do artista.
Aos pés da santa cruz (Marino Pinto e José Gonçalves) é também cantada de forma
elegante pelo grupo; Esqueça (Forget him) (Mark Anthony), versão lançada
por Roberto Carlos no mesmo ano, marca a primeira incursão do conjunto no repertório
da Jovem Guarda; o tema é apresentado lindamente por Maurício de Oliveira à guitarra.
Eu te darei bem mais (Io ti darò di più) (Alberto Testa e Memo Remigi) é
o momento mais profundo do registro, uma das gravações mais dramáticas e bem
sucedidas do grupo; em contraste, Vem chegando a madrugada (Noel Rosa de
Oliveira e Adil de Paula) é pura leveza, com Cícero Ferreira entoando uma voz
solista tanto imponente quanto agradável.
Na seção final, temos um dos boleros mais famosos - La barca
(Roberto Cantoral) -, toques bluesísticos - em Les cornichons (Deixa de banca)
(Nino Ferrer e James Booker) - e solos arrebatadores - em Estamos aí (Mauricio
Einhorn, Durval Ferreira e Regina Werneck) e The more I see you (Harry Warren
e Mack Gordon). Fica, por fim, a impressão de acabamos de presenciar um dos
melhores trabalhos de Hélio Mendes e Seu Conjunto.
Caso
queira adquirir uma cópia do livro O
piano e seu conjunto: vida e obra de Hélio Mendes, de Cínthia Ferreira, neta de Hélio Mendes,
entre em contato com a autora pelo Instagram: @cinthiaferreirasv
Clique aqui para ouvir o álbum completo no YouTube
Crédito da Imagem: Foto de Renan Simões
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