Hélio Mendes - Vol. 4 (1964)

 



Após um único álbum com grupo reduzido (Na bossa), Hélio Mendes reintegrou, a seu conjunto, os instrumentistas de sopro dos seus dois primeiros registros (Week-end no Rio e “Week-end” em Guaraparí). Assim, para o seu Vol. 4, os músicos participantes foram Hélio Mendes (piano e arranjos), Maurício de Oliveira (guitarra e arranjos), Cícero Ferreira (piston e voz solista), Moacyr Barros (saxofone e clarinete), Betinho (bateria), Edílio Santos (contrabaixo) e Moacyr Lima (ritmista) - o único da primeira formação que não retornou foi o acordeonista Marinho Carlos. O repertório também manteve o padrão dos dois primeiros registros, dividido aqui igualmente entre músicas brasileiras e internacionais.

O grupo começa de forma impactante com La bamba, canção de domínio público popularizada pelas versões de Ritchie Valens e Trini Lopez - e com aquela harmonia bem presente no inconsciente coletivo, reutilizada desde Twist and shout à Festa de Ivete Sangalo. Nessa versão, Cícero Ferreira demonstra toda sua potencialidade como vocalista, além de grande trompetista, e é acompanhado pelos outros músicos em coro.

A versão do grupo para Samba do avião, de Tom Jobim, é muito interessante, enquanto Sally's tomato (Henry Mancini) apresenta toques de big bands americanas, o que é muito bem realizado pelo conjunto. A coisa pega fogo em Berimbau (Baden Powell e Vinicius de Moraes, grafada no disco como Birimbau), música de muita profundidade e assertividade, e registrada aqui bem à época em que esses geniais afro-sambas de Baden e Vinicius eram compostos; é de fato o grande destaque do registro. Blues walk (Clifford Brown) é um feliz diálogo entre a música estadunidense e o samba, e o arranjo leve de Diz que fui por aí (Zé Keti e Hortênsio Rocha) é complementado por ótimos solos dos integrantes.

O lado abolerado do grupo dá o ar da graça com Dôce amargura (dos italianos Riz Ortolani e Nino Oliviero) e Somos iguais (Jair Amorim e Evaldo Gouveia), verdadeiras odes à dor de cotovelo, e também nas derramadas Days of wine and roses (Henry Mancini e Johnny Mercer) e El reloj (do mexicano Roberto Cantoral). Em contraposição, o registro é finalizado com dois clássicos da música brasileira de naturezas distintas: Disa (Johnny Alf e Maurício Einhorn) e Palpite infeliz (Noel Rosa); esta, como na faixa de abertura, traz os vocais dos integrantes.

Sobre o áudio digital oficial, é uma pena que o som “quebra” toda vez que o trompete toca, o que também acontece na minha cópia em vinil; trata-se, provavelmente, de um problema de masterização e/ou prensagem.

Caso queira adquirir uma cópia do livro O piano e seu conjunto: vida e obra de Hélio Mendes, de Cínthia Ferreira, neta de Hélio Mendes, entre em contato com a autora pelo Instagram: @cinthiaferreirasv


Clique aqui para ouvir o álbum completo no YouTube


Crédito da Imagem: Foto por Renan Simões

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