Babau do Pandeiro - São João 2015

 


Como apontado em publicação recente, já realizei postagens sobre Babau do Pandeiro: incluí o Meu primeiro compacto na minha breve lista dos 5 discos nacionais mais bizarros da década de 2000; disponibilizei e resenhei São João do Arraial; e refleti sobre a morte do artista em 2024.

A discografia de Babau compreende uma diversidade de CDrs que eram distribuídos pelo próprio artista. Durante um tempo, tentei obter esses discos com um músico que o acompanhava, mas parece que o projeto de resgate dessas gravações não foi adiante, e posteriormente perdi esse contato. Não há nenhum álbum do artista disponível online de forma oficial - disponibilizei, no YouTube, Meu primeiro compacto e São João do Arraial. Quanto a este último, foi um dos dois CDrs que ganhei do amigo e influencer Caio Talmag - os pais dele os compraram diretamente de Babau em Fortaleza. O outro é este que eu posto agora, São João 2015.

São João 2015 mantém a mesma ideia dos dois álbuns anteriores, de um fluxo ininterrupto de músicas com acompanhamentos similares. Trata-se de um álbum bem redondo, no qual praticamente não acontecem os atravessamentos rítmicos tão característicos de outros registros de Babau. As letras são bem comportadas e comuns, situando o registro em um espectro mais genérico.

A sequência inicial - Pra cantar e dançar nesse salão, O cravo da fogueira e Brincadeira na fogueira - representa isso muito bem. Um contraponto a isso é Quando a fogueira queimar, que traz de volta o Babau clássico, com sutis desencontros e coisas meio tortas. Infelizmente, o ar comum continua nas três faixas seguintes - É madrugada, Não adianta combinar com Santo Antônio e Prepara a fogueira. Assim, a primeira metade do registro carece das assinaturas distintivas do artista, embora seja agradável.

Para a segunda metade, Babau investe em músicas já abordadas do seu repertório, o que promove aquele fim de festa mais animado. Entretanto, a interpretação é bem mais comportada e regular do que a de registros anteriores. Quatro destas faixas estão também presentes no clássico Meu primeiro compacto e em São João da roça - Bebe água galinha, Bota a cabra pra berrar, Cadê Didi, cadê Dadá e Cavaleiros da Távola Redonda. As duas outras faixas também foram abordadas em São João da roça: Zeca do Pijariba e A festa do beco do Caboré. Apenas Cavaleiros da Távola Redonda nos arrancam algumas risadas.

Talvez São João 2015 seja o álbum que mais se enquadre dos padrões de uma festa tradicional de forró, e talvez seja o que o artista buscava. Não temos aqui os aspectos inusuais que fizeram com que Babau viralizasse - suas letras bizarras, atravessamentos rítmicos e interpretações exageradas. Talvez ele ainda estivesse se “ajustando musicalmente” para chegar nesse produto. Talvez, ao atingir seus objetivos artísticos, perdeu sua individualidade e se tornou apenas mais um - o que é comum a muitos artistas.

Clique aqui para ouvir o álbum completo no YouTube



Crédito da Imagem: Discogs (escaneado por Renan Simões)

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